“Tá bom, tudo o que vimos até agora faz sentido e até parece interessante, mas como mudo a cultura da minha empresa para adotar uma solução no estilo de BPM/SOA?”
Essa é a primeira pergunta que aparece na mente de qualquer um que entenda os benefícios da arquitetura orientada a serviços. Isso porque a palavra chave dessa pergunta é cultura e, no geral, mudanças culturais não são amplamente aceitas.
Para aqueles que já têm algum tempo de TI, lembro que perguntas semelhantes apareceram quando surgiu a arquitetura cliente-servidor, quando fomos para o modelo web-based, mais uma vez na arquitetura web de três camadas, no famoso J2EE e por aí vai. Foram tempos árduos para os gerentes de projeto que implementaram essas modelos tecnológicos nas suas empresas, mas não faltaram benefícios (e até algumas promoções).
Com a arquitetura orientada a serviços não é diferente. Tudo vai depender de quão organizado o projeto de implementação vai começar.
Para aqueles que chegaram até aqui e estão querendo parar de ler porque “minha empresa nunca vai ter SOA”, eu queria só adicionar mais um ponto:
Praticamente todas as empresas vão adotar SOA de uma forma ou outra e isso se dá por um motivo simples: todos os fornecedores de tecnologia estão produzindo soluções SOA-enabled. Convido vocês a um teste: Escolha um fornecedor de tecnologia e faça a seguinte pesquisa no google:
+Nome_do_Fornecedor+SOAAs eferência para IBM e SOA já chegam a quase 3 milhões de registros.
Mas voltando à implementação, nosso objetivo é torná-la o mais consistente e o menos dolorosa possível (não necessáriamente nessa ordem!). Além de pensar em um roadmap de implementação que antecipe os benefícios.
Para que isso seja possível o segundo passo é montar um mapa de prioridades. Costumo fazer isso com um gráfico de bolhas representando benefício x complexidade x custo. Como o exemplo abaixo:
Tabela 1 - Mapa de Prioridades
Da Tabela 1 geramos os dados do Gráfico 1, de onde podemos escolher dentre dois candidados a primeiro projeto: o Portal ou a Coreografia. É importante lembrar que esse gráfico é contruído considerando o custo como tamanho das esferas no gráfico. E o que buscamos são projetos com o maior benefíco com a menor complexidade e o menor custo.
Gráfico 1 - Mapa de Prioridades
“Mas se esse é o segundo passo, qual é o primeiro?”
O primeiro passo e mais importante é o estabelecimento de um grupo multi-disciplinar (pessoas de tecnologia e pessoas de negócio) que irá ser responsável pelo sucesso da implementação.
Historicamente a implementação de novos modelos tecnológicos sempre foi liderada por tecnologia. Isso não se aplica mais: tecnologia sozinha não vai ter subsídios para escolher entre Portal ou Coreografia no nosso exemplo acima. E esse nosso primeiro passo é também a primeira mudança cultural.
Esse grupo é conhecido novos modelos de administração como Centro de Competência ou Centro de Excelência. O Centro de Excelência em SOA é responsável por alguns pontos críticos:
• Roadmap de Implantação
• Arquitetura Corporativa
• Modelo de Governança de TI
• Modelo de Governança de Negócios
• Plano de Capacitação
• Endomarketing para divulgação do novo modelo
Por último, mas não menos importante, o responsável pelo Centro de Excelência deve ser um executivo da companhia, especialmente alguém que tenha interesse direto nos resultados obtivos pelo novo modelo tecnolócio. Esse sponsor é peça chave para que a implantação tenha sucesso.
João Luiz Pereira Junior